Ep 76 – Estás sempre cansada? Pode não ser falta de Sono, É o teu corpo a pedir ajuda.
Filipe SimõesCEO e fundador do BMFit, Personal TrainerVer bio
Beatriz JorgeNutricionista e Fundadora BMFITCédula Profissional 5266NVer bio
Ana AlvesPsicóloga, Coordenadora e Fundadora BMFITCédula Profissional OPP 26414Ver bio
PublicadoJunho 8, 2026
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Resumo do Episódio
Dormes. Acordas. E já estás cansada. Bebes o primeiro café antes de falar com alguém. Precisas do segundo para funcionar. E ao fim do dia, tens energia zero — mas quando te deitas, a cabeça não para. Se isto te soa familiar, este episódio é para ti. E a primeira coisa que precisas de ouvir é: isto não é normal. É frequente — mas não é normal. E acima de tudo, tem solução. Hoje vamos falar de algo que afeta a maioria das mulheres acima dos 30 e que quase ninguém liga ao treino, à alimentação ou às hormonas: o cansaço crónico. Aquele que não passa com uma boa noite de sono. Aquele que está sempre lá.
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Ep.75 – Vontade de comer doces: porque acontece e o que o teu corpo está realmente a pedir
Filipe SimõesCEO e fundador do BMFit, Personal TrainerVer bio
Beatriz JorgeNutricionista e Fundadora BMFITCédula Profissional 5266NVer bio
Ana AlvesPsicóloga, Coordenadora e Fundadora BMFITCédula Profissional OPP 26414Ver bio
PublicadoJunho 3, 2026
Tempo de leitura— min
Resumo do Episódio
A vontade de comer doces não é falta de força de vontade. Tem causas fisiológicas e emocionais concretas: stress acumulado, refeições insuficientes ao longo do dia, sono a menos, e por vezes a simples falta de qualquer outra coisa que te dê prazer. Este artigo explica de onde vem — e o que fazer com isso.
O que pode ser a vontade de comer doces — as causas mais comuns
A vontade de doces tem quatro causas principais e raramente é só uma delas. Quase sempre é uma combinação.
A primeira é a estrutura das refeições: se o dia correu mal a nível alimentar — pequeno-almoço saltado, almoço leve, lanche inexistente — o corpo chega ao fim do dia com um défice que vai cobrar de alguma forma. A segunda é o stress: o cortisol elevado aumenta o apetite e cria uma procura activa de alívio. A terceira é o sono: dormir mal desregula as hormonas de fome e saciedade e faz o corpo compensar com comida. A quarta é emocional: quando não há nada no dia que te dê prazer ou descanso real, o doce torna-se a única saída rápida que sobrou.
Cada uma destas causas tem uma solução diferente. Por isso é importante perceber qual delas — ou quais — estão a acontecer.
Porque tens vontade de comer doces à noite — o que acontece no teu corpo
À noite, os níveis de serotonina descem naturalmente como parte do ritmo circadiano do corpo. A serotonina é a hormona do bem-estar. Quando desce, o corpo procura formas de a repor — e o açúcar é uma das formas mais rápidas de criar essa sensação.
Se o dia foi stressante, junta-se o cortisol. Um dia com reuniões, decisões, crianças, logística e pouco espaço para respirar chega ao jantar com o cortisol elevado. Cortisol elevado significa mais apetite e uma procura activa de alívio e conforto. O corpo não está a pedir disciplina — está a pedir energia e alívio de uma carga que passou o dia a acumular.
E há uma razão para a vontade ser de chocolate ou bolachas e não de brócolos crus. Quando o corpo precisa de energia, vai buscar o que reconhece como mais calórico. É assim que funciona. Não é sabotagem — é biologia.
Há ainda um ponto que quase ninguém liga a esta vontade nocturna: o jantar em si. Muitas mulheres, por acharem que “já vão dormir e não precisam de tanto”, fazem uma sopa e um queijinho fresco. O resultado é um jantar insuficiente que não tem proteína, não tem hidratos. E os hidratos ao jantar são importantes precisamente porque ajudam na produção de serotonina — a hormona que o corpo vai pedir mais tarde, com açúcar, se não tiver recebido com a refeição. Cortar os hidratos ao jantar para ser “mais saudável” agrava exactamente o problema que se está a tentar evitar.
Muitas vezes o problema da noite começa de manhã
O problema que aparece às 22h30 pode ter começado às 7h da manhã.
Quando alguém chega até nós e diz que tem vontade de doces irresistível ao fim do dia, a primeira coisa que a Beatriz faz é olhar para todas as refeições do dia — não só para o jantar. Começa pelo pequeno-almoço. Porque o défice acumula-se ao longo do dia, e quando o ritmo abranda à noite — quando os filhos já estão na cama, quando não há mais tarefas urgentes — o corpo tem finalmente espaço para ser ouvido. E faz-se ouvir.
Se o pequeno-almoço foi uma torrada com manteiga, o almoço foi uma salada sem proteína, e o lanche foi uma peça de fruta, o corpo passou o dia em modo de poupança. Aguenta enquanto há estímulos e tarefas a distraírem. Quando para — cobra.
O que deve ter cada refeição para prevenir a vontade de doces
Não é necessário comer de forma complicada. É garantir que cada refeição tem o básico:
Proteína — iogurte grego, ovos, queijo, frango, peixe, leguminosas. É o que mantém a saciedade por mais tempo e previne a fome que aparece horas depois.
Hidratos de absorção lenta — arroz, batata, massa, pão escuro, aveia. Demoram mais tempo a ser absorvidos, evitam picos de açúcar no sangue e mantêm a energia mais estável ao longo do dia.
Gordura insaturada — azeite, frutos secos, sementes, abacate. Contribui para a saciedade e é necessária para a absorção de vitaminas.
Fibra — legumes, fruta, cereais integrais. Ajuda no trânsito intestinal e prolonga a sensação de saciedade.
Uma refeição com estas quatro componentes não precisa de ser elaborada. Precisa de estar lá.
Dormir mal faz querer doces — a ligação que quase ninguém faz
O corpo tem essencialmente duas fontes de energia: o sono e a alimentação. Se já começas o dia com menos energia do que devias — porque dormiste poucas horas, porque o sono foi interrompido, porque ficaste até tarde no telemóvel — o corpo vai tentar compensar na outra fonte que tem disponível: a comida.
Dormir mal aumenta o cortisol e desregula as hormonas que controlam a fome e a saciedade. Fome aumenta. Saciedade demora mais a chegar. E o corpo vai especificamente atrás do que tem mais calorias — porque é o que reconhece como energia rápida.
A era digital não ajuda. Ficamos no telemóvel até tarde, o ritmo circadiano desajusta, e o corpo não chega a entrar nas fases de sono mais profundo que restauram. No dia seguinte, a vontade de doces não é coincidência.
Isto é importante de perceber porque não se resolve com força de vontade sobre o chocolate. Resolve-se com sono.
Fome emocional ou compulsão alimentar — a diferença que importa saber
Muitas mulheres que chegam até nós descrevem-se como tendo “compulsão alimentar”. Quando a Ana — a nossa psicóloga — vai explorar o que acontece de facto, a maioria está a descrever fome emocional. São coisas diferentes e a abordagem é diferente.
A compulsão alimentar é uma perda total de controlo. A pessoa não consegue parar. Só pára quando um factor externo a obriga: acabou a embalagem, alguém entrou na divisão, já está desconfortavelmente cheia. Não tem gatilho específico nem alimento específico — pode ser cenouras, podem ser bolachas. O impulso surge sem aviso e a quantidade é grande.
A fome emocional tem um gatilho identificável — stress, cansaço, tristeza, insatisfação. A pessoa vai buscar alimentos específicos, aqueles que associa a conforto. A quantidade ingerida nem sequer é excessiva, muitas vezes. O problema não é a quantidade — é a frequência e o padrão.
O açúcar tem no cérebro um efeito semelhante ao de certas adições — liberta uma sensação de prazer que é real e que vicia. O problema é que esse efeito dura pouco. Come-se uma bolacha, a sensação de bem-estar aparece, mas em 15 ou 20 minutos desapareceu e o corpo pede outra. É esse ciclo que cria a sensação de “não consigo parar”.
Quando o doce à noite é a única coisa que ainda é tua
Este é o ponto que mais reconheço nas mulheres com quem trabalhamos.
Passam o dia inteiro a dar. Ao trabalho, às reuniões, aos filhos, à casa, à escola, ao supermercado, à roupa por dobrar. Chegam ao fim do dia sem ter recebido nada. Sem ter tido um momento que fosse só delas.
Quando perguntamos “o que é que fazes só para ti?” — não como mãe, não como profissional, não como companheira, só como tu — a resposta mais comum é silêncio. E depois: “há anos que não existe isso.”
Temos mulheres que nos dizem que há 10 anos adoravam pintar. Que tocavam guitarra. Que tinham um grupo de amigas com quem iam jantar uma vez por mês. Que liam. Quando foi a última vez? Pois foi.
O chocolate às 23h, no sofá, com o telemóvel, depois de todos terem adormecido — para muitas mulheres é o único momento do dia que é delas. A única coisa que não é para ninguém mais. E exigir força de vontade sobre esse momento sem perceber o que ele representa é não estar a ver o problema real.
A solução não é eliminar o doce. É criar outras fontes de satisfação para que o doce deixe de ser a única. Quanto mais fontes de prazer e descanso real existirem ao longo do dia — uma caminhada, uma chamada a uma amiga, dez minutos de livro, uma aula de algo que se gosta — menos o doce precisa de fazer esse trabalho todo sozinho.
Resolver o que está pendente e trazer de volta o que foi esquecido: é simples de dizer e leva tempo a fazer. Mas é o que muda o padrão.
O que fazer quando a vontade de doces aparece — estratégias concretas
O primeiro passo é perceber se é fome física ou emocional. A pergunta que a Ana usa com as clientes é directa: “se o que tens aqui fosse sopa, ovos ou iogurte — comias?” Se a resposta for sim, é fome física. Come, sem drama. Se a resposta for não — se o que queres é especificamente chocolate ou bolachas — provavelmente é emocional.
Se for emocional, a estratégia é parar e perguntar o que está por trás. Estou cansada? Estou triste? Estou insatisfeita com alguma coisa que não resolvi? A ideia é identificar a necessidade real e responder a ela com algo que a resolve de facto.
Se estás esgotada, a resposta é descanso — não chocolate. Um banho enquanto o chá está a fazer, o chá, e ir dormir. Se estás triste ou irritada, pode ser uma chamada a alguém que te faz bem. Se estás insatisfeita com algo que ficou por resolver, é enfrentar isso — por mais que custe.
E se mesmo assim a vontade aparecer depois de teres feito tudo bem? A Beatriz tem uma estratégia que gosto de usar: em vez de ceder a um doce fora das refeições, tornar o próprio jantar mais “docinho” dentro da estrutura. Uma fonte de hidratos que satisfaça mais, uma sobremesa ligeira incluída na refeição — tudo isto continua a ser uma refeição completa. E há dias em que o quadradinho de chocolate depois do jantar é exactamente o que faz sentido. Um quadradinho não estraga nada. O problema nunca foi o chocolate — foi quando passou a ser a única coisa disponível.
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